Imagem/ns… [1]

 Annabela Rita

[1] Adaptado do texto introdutório do meu livro Cartografias Literárias 
http://www.esferadocaos.pt/catalogo_detalhe_ciencias_da_cultura111.html/

1.  GPS para geografia incerta

(…)

E interessa-me, também, escutar o diálogo que, através do tempo, do espaço, dos tipos de discurso, dos “estilos” e dos autores, os textos desenvolvem entre si, fazendo com que, para o leitor, a arte, em geral, surja como uma composição extremamente complexa, polifónica e multiforme, tecida por interpelações, respostas, correspondências, acompanhamentos, continuações ou rupturas, composição dialógica, portanto, onde é possível distinguir linhagens, continuidades e descontinuidades, mas onde mais nos atinge essa espécie de coro multímodo, diverso, jogo de espelhos e de reflexos, de sombras e de luzes, de transparências e de opacidades, de dissonâncias e consonâncias, onde a identidade se insulariza sempre em vasto e incontável arquipélago.

Além disso, interessa-me, ainda, observar o modo como as imagens adquirem espessura semântica e funcionalidade nos textos, devido às relações que tecem com o que neles as rodeia, chegando a orientar ou a sinalizar hipóteses de leitura, às vezes, até, a conciliá-las e a promover o trânsito reflexivo entre elas.

É um processo vertiginoso de arqueologia da nossa memória individual e colectiva, mas também de itinerância pelo nosso imaginário. No primeiro caso, dominados pela consciência do(s) elo(s) perdido(s), nostálgica incompletude. No segundo, o emaravilhamento dos viajantes de outrora face à permanente surpresa que a realidade lhes oferece.

Inquestionável poder da imagem. Emergindo e deslizando como sereia, a imagem seduz-nos com um canto que nos arrasta para além dela, mais para trás, para o lado, para uma geografia incerta, indecisa, indecidível até… Surpreendente, insinuante, escorregadia, encantatória.

*               *            *

  2. GPS para cartografia pessoal (em rodapé)

… já que a primeira pessoa desta reflexão o justifica e legitima…

Olhando para trás, para os meus livros anteriores, constato que formam um puzzle de perspectivação da evolução estética da literatura do Romantismo até aos nossos dias, numa trajectória que tende a reavaliar esse itinerário em função de uma leitura cada vez mais interdisciplinar e inter-artes. Cada um deles se organiza como obra orgânica, inscrevendo-se, ainda, noutra mais abrangente, em jeito de hipo/hiper-texto. A arquitectura de obra é evidenciada, quer pela organização dos volumes, quer pelas ‘legendas’ introdutórias ou subtítulos.

(…)

Ler Texto na íntegra:
Doc_Pdf_Imagem-ns_Annabela_Rita 

#16_240311_IMG_0684

.

Anúncios